Diversos documentos do séc. XV testemunham a existência de judeus na vila de Castelo de Vide.

Localizada na encosta voltada a nascente, em zona íngreme e acidentada, a Judiaria desenvolveu-se pelas ruas da Fonte, do Mercado, do Arçário, do Mestre Jorge, da Judiaria e da Ruinha da Judiaria, convergindo todas estas calçadas para a Fonte da Vila, de grande valor artístico quinhentista e que da Judiaria faria parte.

Da presença judaica restam alguns testemunhos materiais, como as portas ogivais de habitação e de oficina (algumas com mesusah), o urbanismo, a toponímia e o edifício da antiga Sinagoga.

Situado na Rua da Judiaria e datado do período medieval, o edifício da Sinagoga orienta-se no sentido Este / Oeste. O conjunto é constituído por um só volume, com dois pisos. Na porta de acesso ao primeiro piso encontra-se a mesusah, onde era colocada a shema, oração fundamental do culto judaico. No interior do edifício, no compartimento destinado ao culto, encontra-se o aron kodesh, onde seria colocada a Torah.Na parte inferior ainda é possível observar as cavidades destinadas às lamparinas dos “Santos Óleos”. À esquerda do aron kodesh encontra-se uma mísula, cuja base apresenta sete bolas, que representam os seis dias em que Deus criou o mundo e o último dia, o sétimo, o do descanso da obra.

Hoje a Sinagoga está musealizada e nela são mostradas vivências da comunidade judaica e os contributos dados para o desenvolvimento da vila, bem como destaque para Garcia D’Orta, a diáspora e a herança.

Mas a riqueza patrimonial e a oferta turística de Castelo de Vide não se esgotam na Herança Judaica. O casario branco, as inúmeras fontes, os solares oitocentistas, os portais góticos, as 12 igrejas (das 31 existentes no Concelho), o Castelo, os parques e jardins, os recantos pitorescos do Burgo Medieval e do Canto da Aldeia… são alguns dos singulares valores que tornaram a Notável Vila de Castelo de Vide conhecida mundialmente.

Sejam bem-vindos a Castelo de Vide!